Comentário: Eldorado XXI (Salomé Lamas, 2016)

Paisagens noturnas, paisagens agrestes, rostos fechados, relatos de miséria, sonhos: de tudo isso é feito a vida nas minas de La Rinconada, no Peru. O olhar de Salomé Lamas é etnográfico e é inteligente, mas era escusado aquele plano inicial de cerca de uma hora. Uma prova para o espectador, uma razão (pessoal) para nunca mais voltar a ver o filme. PV cinema Garrett 2/5

Comentário: Perdidos (Sérgio Graciano, 2017)

Os filmes industriais portugueses, de produtor (no caso Leonel Vieira), são mais raros do que os filmes de autor (realizador) e injustamente ignorados (e por vezes vilipendiados) pela crítica e público bem-pensantes. Para quê bater num cinema que é minoritário e nunca anda a passear pelos festivais? Eu prefiro ver, mesmo que seja para confirmar que as coisas não correm bem para os lados do cinema mainstream. Perdidos é um remake (disseram-me) de um filme estrangeiro, sobre uns amigos que ficam perdidos em alto-mar, junto ao barco deles, mas para o qual não podem subir. Ou seja, Leonel Vieira aposta num thriller de apelo popular (com atores de telenovela) e realização eficaz mas apenas funcional, para fugir um pouco ao monopólio das comédias. Mas são estas que atraem o grande público. PV Garrett 2,5/5

Cartaz: Perdidos (Sérgio Graciano, 2017)


Verão Danado no Festival de Locarno 2017

Verão Danado, de Pedro cabeleira
Festival de Locarno 2017
"Cinéastes du Présent"

Comentário: Cartas da Guerra (Ivo M. Ferreira, 2016)

Falar sobre a História portuguesa e sobre as guerras de descolonização recorrendo às vivências mais íntimas de quem nelas participou. Ivo M. Ferreira escreveu e realizou um belo filme a partir das cartas que António Lobo Antunes escreveu a mulher quando foi alferes na guerra de Angola. Uma espécie de Amor em Tempo de Guerra à portuguesa. Bom. Paris 3/5

Marco Martins no Festival de Veneza

Nuno Lopes 
Prémio Orizzonti de Melhor Ator 
Festival de Cinema de Veneza 2016

Comentário : Posto Avançado do Progresso (Hugo Vieira da Silva, 2016)

Mais um filme português estreado em França devido à sua notória originalidade. Cenas da colonizaçâo portuguesa que integram a marca do teatro do absurdo (En attendant Godot) e a História de Portugal jocosamente evocada nos nomes de algumas personagens negras. Dois funcionários coloniais envolvidos no tráfico do marfim vão aprendendo à custa da sua sanidade mental o progressivo desajustamento dos seus corpos e mentes no ambiente natural e humano em que vivem. Os resultados ficam por vezes aquém da ambiçao do realizador mas o gesto e o tom é que contam. Paris 3/5